domingo, 23 de novembro de 2008

O Jardim do Pomar

Onde está o jardim?
Nada disto era assim!...
Que lhe aconteceu,
como é isto possível,
desapareceu!?
Não, não pode ser,
não há nada aqui
que o faça lembrar?!
Onde está a figueira…
e, a japoneira?
Como era linda…
baixinha,
com todas aquelas flores brancas…
era ali o sítio dela!...
Serão estes ramos secos
o que resta da árvore tão bela!
amarrada,
aprisionada,
asfixiada,
pelo imenso silvado
que se estendeu por todo o lado…
das flores, nem vestígios
provavelmente as primeiras
a sucumbir.
O lilás, a noveleira,
não estão,
e as roseiras, também não,
não resistiram…
aliás, nem se vê o chão!…
Sobrou algum buxo,
o tronco da amoreira,
uma ou outra videira,
decadente, desmazelada.
Morreu também a macieira
ah, ainda sobrevive um castanheiro,
não o velho que conheci,
esse morreu,
mas sim, um novo
que entretanto cresceu.
Resiste o portão de ferro
que se mantém ferrugento,
como sempre o vi.
Que guarda agora,
um silvado?
Triste fado…
…Prefiro que guarde a memória,
do que foi o «meu» jardim…

7 comentários:

vida de vidro disse...

Talvez seja agora a altura de cuidar demoradamente do jardim.
Gostei muito do poema. **

Arménia Baptista disse...

...Pois, mas o jardim já ñ é meu...a propriedade foi vendida :(

obrigada

VFS disse...

"o tempo decorre por si ..."

há jardins que só podem ser mantidos na lembrança do coração.

Obrigado.

Edu disse...

O jardim outrora cuidado por ti, sempre existira no teu olhar, será sempre teu. Que interessa o terreno onde se encontra? Deixaó ir, já não é o mesmo. As suas flores e relva já não conseguem ser tao vivas. As raizes das suas arvores já há muito que se perderam na escuridão. Mas o teu jardim será sempre belo, e continuará a crescer mesmo que apenas no teu olhar. Mesmo que tatuado de chuva, será ai sempre mais belo que a realidade.

Maria Clarinda disse...

Vamos entrar direitinho no jardim...cuidá-lo com toda a ternura...e...ele ficará eternamente lindo.
Parabéns pelo post, lindo!

Leonor disse...

gostei muito do poema e da pintura espero que pintes uma para mim
bj
leonor

nuvem disse...

Como diria Lavoisier, "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma."

Bonito poema.

Beijos