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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O «Jardim-horta» em Janeiro de 2012


























É uma horta num jardim, é um jardim numa horta. Um bocadinho de terra, num espaço bem pequeno, mesmo ali ao pé da porta. Para mim, está bem assim. Este jardim-horta da cidade, tem já uns aninhos de idade. Um sucesso em certas colheitas, para minha felicidade. O rei da produção, é o tomate logo seguido do feijão, rúcula selvagem, cebola, batata e beringela. Com a penca e a alface, a sorte não é a mesma, são pasto de caracóis, lagarta e lesma. Ah, mas nem tudo o que cresce no torrão, é para comer!
Tem variadas flores, bonitas a valer! Coroas de rei, gladíolos, rosas, margaridas, verbena, jarros e tantas outras que se renovam ao longo do ano. E, tem aquelas que eu pensava serem eficazes no combate às pragas: aromáticas, capuchinha, bonina e cravos túnicos.
















Chegou Janeiro e o jardim-horta está assim: com brócolos verdes e roxos, couve galega, penca, coração, salsa, tomilho, menta e hortelã. E para grande espanto meu - morangos e rosas!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Moinho do Tio Amadeu

A Casa Grande, tinha um moinho de cereais, movido a água que corria através do regato escavado na encosta. Num socalco paralelo, por onde passava a água que se escapava do canal, o tio Amadeu (que teria doze a 14 anos) construía uma engenhoca, para as nossas brincadeiras, a que chamava «moinho». Quantos ele construiu!

Para a complicada obra, começava-se pela recolha do material que obedecia a um rigoroso ritual:
O tio seguia na frente e as pequenas todas em filinha indiana, atentamente, a seguir o mestre. Claro que só ele sabia o que era bom e apropriado. Dizia, e fazia, tudo com uma autoridade e uma importância, que ficavam convencidas de que, o tio Amadeu sabia daquilo como ninguém, e, realmente não havia nas redondezas quem fizesse o tal (excepto os outros tios, claro). A canalhada – como ele nos chamava – só servia para carregar. Até porque sendo o mais velho, só ele podia utilizar o canivete para a preparação de todo o material de construção.


Para ilustrar o conto, o tio Amadeu teve a amabilidade de construir um moinho, igualzinho ao de outrora. A montagem, sujeita a certas limitações, teve de ser feita no jardim lá de casa, uma vez que o sítio das nossas brincadeiras desapareceu. Hoje, está irremediavelmente enterrado debaixo de uma estrada.«Ó canalhada”lembrais-vos”?!»

Começava por cortar pauzinhos de «ziriguindum», uns rectos e outros em «Y» para servirem de suporte à rede de canalização; bugalhos e «canos» - o mais difícil de arranjar - que obrigavam a uma pesquisa cuidada. Tínhamos de nos embrenhar no campo de milho, andar entre as canas altas, à cata de aboboreiras. Aí, o tio Amadeu escolhia cuidadosamente quais os caules a abater. Deviam ser o mais retorcido possível para resultar uma obra espectacular! E para não estragar a planta, só podia cortar um de longe a longe. Por isso, ele é que cortava para não estragar a aboboreira! Como os caules tinham «picos» o tio limava-os com o canivete – para que não picassem - cortava a folha, e distribuía os «canos» que transportávamos com todo o cuidado para não estalarem, ou não vedariam a água. Recolhido o material, seguíamos para o local da construção.

Uma vez preparados os caules, era necessário encaixa-los uns nos outros, apoiando-os nos suportes de diferentes alturas, o que dava origem a uma rede emaranhada, retorcida e com vários níveis – autêntica obra de engenharia - que transportava a água até ao «moinho».
O «moinho» era feito com dois paus cruzados, apoiados em dois suportes laterais. Em cada extremidade da cruz, enfiava-se um bugalho oco onde batia a água, fazendo rodar a geringonça. Para terminar a decoração e criar um ambiente, construíam-se uns laguinhos, uns canais, colocavam-se umas pedrinhas... e o que mais nos apetecesse.

Quando tudo estava praticamente pronto, e nos preparávamos para admirar a obra, e ver tudo a funcionar, aparecia a avó dava dois tabefes no tio Amadeu e com uma vassourada deitava por terra todo o trabalhinho!
Não o fazia por maldade, fazia-o porque o tio para brincar, deixava o verdadeiro moinho abandonado a moer em seco, perdia-se a água e rompiam-se as mós em vão.

Mas, logo que a avozinha virava costas...recomeçava tudo de novo!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Os patinhos da avó Josefina

Foto de Maria Rego












Era uma vez uma menina franzina, de quatro anos, que foi com a mãe visitar a avó. Vestia um bibe azul, azul da cor do céu quando está muito sol - foi assim que pediu quando lhe perguntaram de que cor o queria -, e um chapéu de palha que lhe escondia o cabelo negro aos caracóis.

O percurso entre a casa da menina e da avó Josefina era feito a pé, através de campos e pinhais. Durante o caminho a menina ia apanhando florzinhas - as preferidas eram os miosótis, por serem tão pequeninas e azul turquesa - e fazendo mil perguntas sobre tudo o que via e lhe interessava. Na maioria das vezes, a mãe respondia com histórias interessantes e fantásticas.

Quando finalmente chegaram, a avozinha levou a menina pela mão, dizendo-lhe que tinha uma surpresa linda para ela. Subiram a escada de madeira que dava para o sótão, onde as galinhas punham os ovos e ficavam durante a noite. Que engraçado, galinhas que subiam escadas?! E como eram desajeitadas! Na maior parte das vezes venciam a distância levantando voo.

Uma vez no sótão a avó levou-a junto de uma giga grande coberta com outra, a menina não estava a perceber nada, porque a levava ali? Nunca o tinha feito antes, pelo menos que se lembrasse... levantou a cesta, e, que era aquilo, pintos? A mãe era uma galinha…mas, os filhotes não eram como ela! O bico, as patas e a cor da penugem eram diferentes, pintainhos não eram, até o piar era diferente!... A surpresa era tal que a avó desatou a rir, pegou na cesta e desceram a escada, atravessaram o pátio e foram para junto do regato do moinho. Mistério atrás de mistério, a avó atirou os desgraçados dos pintainhos (que não eram pintainhos) para a água! A avozinha não devia estar boa da cabeça... mais uma risada e foi então que se dignou dizer-lhe que aqueles pintos eram patinhos! E explicou que a galinha era a mãe adoptiva; tinha chocado os ovos porque a pata que os tinha posto não chocava em cativeiro. De seguida a avó deitou grãos de milho na água que os patinhos apanhavam mergulhando… um espanto!
... As coisas interessantes que avó sabia...



(Este conto é para a Leonor e para a Rita, minhas sobrinhas)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um Dia de Outono















Entardecer de um dia de Outono. Quebro o silêncio, num som crepitante, ao pisar as folhas secas, estaladiças. Percorro a alameda de plátanos imponentes, de fustes monumentais sustentando uma abóbada ogival, de catedral gótica construída de ramos entrelaçados de infinitas folhas, de tons castanho, amarelo e dourado, que mais parecem estrelas cadentes soltando-se, num movimento rodopiante de eterno bailado, acrescentando-se ao magnífico tapete, fofo e leve que cobre de beleza todo o relvado.