sábado, 31 de janeiro de 2009

Os patinhos da avó Josefina

Foto de Maria Rego












Era uma vez uma menina franzina, de quatro anos, que foi com a mãe visitar a avó. Vestia um bibe azul, azul da cor do céu quando está muito sol - foi assim que pediu quando lhe perguntaram de que cor o queria -, e um chapéu de palha que lhe escondia o cabelo negro aos caracóis.

O percurso entre a casa da menina e da avó Josefina era feito a pé, através de campos e pinhais. Durante o caminho a menina ia apanhando florzinhas - as preferidas eram os miosótis, por serem tão pequeninas e azul turquesa - e fazendo mil perguntas sobre tudo o que via e lhe interessava. Na maioria das vezes, a mãe respondia com histórias interessantes e fantásticas.

Quando finalmente chegaram, a avozinha levou a menina pela mão, dizendo-lhe que tinha uma surpresa linda para ela. Subiram a escada de madeira que dava para o sótão, onde as galinhas punham os ovos e ficavam durante a noite. Que engraçado, galinhas que subiam escadas?! E como eram desajeitadas! Na maior parte das vezes venciam a distância levantando voo.

Uma vez no sótão a avó levou-a junto de uma giga grande coberta com outra, a menina não estava a perceber nada, porque a levava ali? Nunca o tinha feito antes, pelo menos que se lembrasse... levantou a cesta, e, que era aquilo, pintos? A mãe era uma galinha…mas, os filhotes não eram como ela! O bico, as patas e a cor da penugem eram diferentes, pintainhos não eram, até o piar era diferente!... A surpresa era tal que a avó desatou a rir, pegou na cesta e desceram a escada, atravessaram o pátio e foram para junto do regato do moinho. Mistério atrás de mistério, a avó atirou os desgraçados dos pintainhos (que não eram pintainhos) para a água! A avozinha não devia estar boa da cabeça... mais uma risada e foi então que se dignou dizer-lhe que aqueles pintos eram patinhos! E explicou que a galinha era a mãe adoptiva; tinha chocado os ovos porque a pata que os tinha posto não chocava em cativeiro. De seguida a avó deitou grãos de milho na água que os patinhos apanhavam mergulhando… um espanto!
... As coisas interessantes que avó sabia...



(Este conto é para a Leonor e para a Rita, minhas sobrinhas)

5 comentários:

Maria Rego disse...

Que linda e ternurenta história... verdadeira!Essa menina de tão curiosa que era aprendeu muito sobre a natureza!
Bjnhs
Bom Domingo.

tinta permanente disse...

As avós sempre existiram com esses dois predicados: sabiam sempre coisas de espantar e, por isso mesmo, eram elas mesmas... um espanto!
(infelizmente, hoje, já não tenho tanta certeza assim...)

abraços!

(p.s. -'docinhos de Peniche'?! Ai, qu'eu cá só conheço o sargo, a perca, goraz, robalo...)

Adérito, o tasqueiro disse...

Acho que as avós continuam a ser uma parte muito importante na vida das crianças :)

Bonita história.
Obrigado pela visita à tasca, volta sempre que quiseres.

Saudações Tasqueiras.

Anaíde disse...

Retrocedi muitos anos (40?) e vi o riacho com os patos castanhos a fazerem belos mergulhos e a emergirem com as penas secas como se nada se tivesse passado. E era isso que me surpreendia! Como era possível que os patos mergulhassem e não se molhassem? Só por magia!
Bjs

Anónimo disse...

Eu cá só me lembro de, muito mais tarde, saborear uma deliciosa sande de ovo de pato estrelado. A avó Josefina esmerou-se a preparar o «gourmet» para mim e para o Rod e foi sem sombra de dúvida a coisa melhor que comi em toda a minha vida...