
domingo, 22 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
A Casa do Ronco

Oca ficou a casa,
vazia de tudo
plena de ausências.
Sobeja espaço
no casarão centenário
sombrio, emudecido
e esquecido.
Dói tanto abandono
tamanha ruína.
Subsiste a memória;
dos risos na sala velha,
das correrias no pomar,
das brincadeiras no sótão
e das escondidinhas no moinho.
Os tempos infinitos
a admirar os vasos
tão bonitos,
das begónias na varanda,
com as suas folhas de veludo
observando tudo
através das janelas…
tão diferentes eram elas
das plantas do jardim!
…Coisas tão belas!...
Tinham de terminar assim?!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
O Moinho do Tio Amadeu
A Casa Grande, tinha um moinho de cereais, movido a água que corria através do regato escavado na encosta. Num socalco paralelo, por onde passava a água que se escapava do canal, o tio Amadeu (que teria doze a 14 anos) construía uma engenhoca, para as nossas brincadeiras, a que chamava «moinho». Quantos ele construiu!
Para a complicada obra, começava-se pela recolha do material que obedecia a um rigoroso ritual:
O tio seguia na frente e as pequenas todas em filinha indiana, atentamente, a seguir o mestre. Claro que só ele sabia o que era bom e apropriado. Dizia, e fazia, tudo com uma autoridade e uma importância, que ficavam convencidas de que, o tio Amadeu sabia daquilo como ninguém, e, realmente não havia nas redondezas quem fizesse o tal (excepto os outros tios, claro). A canalhada – como ele nos chamava – só servia para carregar. Até porque sendo o mais velho, só ele podia utilizar o canivete para a preparação de todo o material de construção.
Para ilustrar o conto, o tio Amadeu teve a amabilidade de construir um moinho, igualzinho ao de outrora. A montagem, sujeita a certas limitações, teve de ser feita no jardim lá de casa, uma vez que o sítio das nossas brincadeiras desapareceu. Hoje, está irremediavelmente enterrado debaixo de uma estrada.«Ó canalhada”lembrais-vos”?!»
Começava por cortar pauzinhos de «ziriguindum», uns rectos e outros em «Y» para servirem de suporte à rede de canalização; bugalhos e «canos» - o mais difícil de arranjar - que obrigavam a uma pesquisa cuidada. Tínhamos de nos embrenhar no campo de milho, andar entre as canas altas, à cata de aboboreiras. Aí, o tio Amadeu escolhia cuidadosamente quais os caules a abater. Deviam ser o mais retorcido possível para resultar uma obra espectacular! E para não estragar a planta, só podia cortar um de longe a longe. Por isso, ele é que cortava para não estragar a aboboreira! Como os caules tinham «picos» o tio limava-os com o canivete – para que não picassem - cortava a folha, e distribuía os «canos» que transportávamos com todo o cuidado para não estalarem, ou não vedariam a água. Recolhido o material, seguíamos para o local da construção.
Uma vez preparados os caules, era necessário encaixa-los uns nos outros, apoiando-os nos suportes de diferentes alturas, o que dava origem a uma rede emaranhada, retorcida e com vários níveis – autêntica obra de engenharia - que transportava a água até ao «moinho».
O «moinho» era feito com dois paus cruzados, apoiados em dois suportes laterais. Em cada extremidade da cruz, enfiava-se um bugalho oco onde batia a água, fazendo rodar a geringonça. Para terminar a decoração e criar um ambiente, construíam-se uns laguinhos, uns canais, colocavam-se umas pedrinhas... e o que mais nos apetecesse.
Quando tudo estava praticamente pronto, e nos preparávamos para admirar a obra, e ver tudo a funcionar, aparecia a avó dava dois tabefes no tio Amadeu e com uma vassourada deitava por terra todo o trabalhinho!
Não o fazia por maldade, fazia-o porque o tio para brincar, deixava o verdadeiro moinho abandonado a moer em seco, perdia-se a água e rompiam-se as mós em vão.
Mas, logo que a avozinha virava costas...recomeçava tudo de novo!
Para a complicada obra, começava-se pela recolha do material que obedecia a um rigoroso ritual:
O tio seguia na frente e as pequenas todas em filinha indiana, atentamente, a seguir o mestre. Claro que só ele sabia o que era bom e apropriado. Dizia, e fazia, tudo com uma autoridade e uma importância, que ficavam convencidas de que, o tio Amadeu sabia daquilo como ninguém, e, realmente não havia nas redondezas quem fizesse o tal (excepto os outros tios, claro). A canalhada – como ele nos chamava – só servia para carregar. Até porque sendo o mais velho, só ele podia utilizar o canivete para a preparação de todo o material de construção.
Para ilustrar o conto, o tio Amadeu teve a amabilidade de construir um moinho, igualzinho ao de outrora. A montagem, sujeita a certas limitações, teve de ser feita no jardim lá de casa, uma vez que o sítio das nossas brincadeiras desapareceu. Hoje, está irremediavelmente enterrado debaixo de uma estrada.«Ó canalhada”lembrais-vos”?!»
Começava por cortar pauzinhos de «ziriguindum», uns rectos e outros em «Y» para servirem de suporte à rede de canalização; bugalhos e «canos» - o mais difícil de arranjar - que obrigavam a uma pesquisa cuidada. Tínhamos de nos embrenhar no campo de milho, andar entre as canas altas, à cata de aboboreiras. Aí, o tio Amadeu escolhia cuidadosamente quais os caules a abater. Deviam ser o mais retorcido possível para resultar uma obra espectacular! E para não estragar a planta, só podia cortar um de longe a longe. Por isso, ele é que cortava para não estragar a aboboreira! Como os caules tinham «picos» o tio limava-os com o canivete – para que não picassem - cortava a folha, e distribuía os «canos» que transportávamos com todo o cuidado para não estalarem, ou não vedariam a água. Recolhido o material, seguíamos para o local da construção.
Uma vez preparados os caules, era necessário encaixa-los uns nos outros, apoiando-os nos suportes de diferentes alturas, o que dava origem a uma rede emaranhada, retorcida e com vários níveis – autêntica obra de engenharia - que transportava a água até ao «moinho».
O «moinho» era feito com dois paus cruzados, apoiados em dois suportes laterais. Em cada extremidade da cruz, enfiava-se um bugalho oco onde batia a água, fazendo rodar a geringonça. Para terminar a decoração e criar um ambiente, construíam-se uns laguinhos, uns canais, colocavam-se umas pedrinhas... e o que mais nos apetecesse.
Quando tudo estava praticamente pronto, e nos preparávamos para admirar a obra, e ver tudo a funcionar, aparecia a avó dava dois tabefes no tio Amadeu e com uma vassourada deitava por terra todo o trabalhinho!
Não o fazia por maldade, fazia-o porque o tio para brincar, deixava o verdadeiro moinho abandonado a moer em seco, perdia-se a água e rompiam-se as mós em vão.
Mas, logo que a avozinha virava costas...recomeçava tudo de novo!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
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